A realização das convenções partidárias é um momento importante para a qualificação do exercício democrático. Até o dia 30 de junho os partidos políticos estarão definindo suas estratégias para a eleição municipal e escolhendo seus candidatos aos cargos de prefeito, de vice-prefeito e de vereador.

Partindo da atual premissa, definida pelo Supremo e pelo TSE, de que a vaga obtida nas eleições é do partido e não mais dos candidatos, está posto um novo desafio: realizar uma aproximação entre os valores e as propostas que os partidos defendem e o que pensam os candidatos. Essa é uma identidade que precisa ser resgatada.
Nos últimos mandatos, tanto no executivo como no legislativo, foi muito freqüente o "vôo solo", onde cada candidato eleito desenvolvia o exercício de seu mandato a partir de suas convicções pessoais e, se isso provocasse algum desconforto dentro do partido, a migração para outro partido era encarada como uma decorrência natural desse desentendimento. Não raras vezes a bancada de um partido posicionava-se, nas deliberações parlamentares, sem qualquer diálogo com a executiva do partido, às vezes, inclusive, votando diferente dos valores defendidos pelo partido. Também, com freqüência, prefeitos ficavam os quatro anos, senão oito, quando reeleitos, sem conversar com a executiva do partido a respeito de suas decisões e de seus programas, sendo que, em determinados casos, as ações produzidas contrariavam àquelas ditas pelo partido como referências para um bom governo.
Agora o momento é diferente, a premissa é outra... O partido e o candidato precisam percorrer a mesma via, sob pena de um virar refém do outro e a sociedade ficar refém dos dois. A democracia quer que os partidos políticos evoluam para que ela possa evoluir.